Que
formação (contínua) no contexto das políticas e mudanças educativas?
As alterações que se vão verificando
no mundo de hoje, têm dimensões únicas. Tal como Carmo (2001:12) refere “o Futuro entra cada vez mais depressa no presente
sem pedir licença, daí resultando um processo de mudança acelerada”.
Os conhecimentos que fomos
adquirindo ao longo da vida começam a tornar-se desadequados aos papéis que
vamos desempenhando. O avanço das novas tecnologias desenvolve o «analfabetismo
funcional» se não for intervencionado a tempo. Hoje a escola tem de se adaptar
a todas as mudanças e repensar as suas políticas de intervenção, no que
respeita à formação permanente e
contínua do seu «sistema -cliente» (comunidade escolar e comunidade local).
A função social da escola também se tem modificado ao
longo dos anos. Longe vão os tempos da escola vista somente como local de
aquisição de conhecimentos teóricos e técnicos que formavam para a vida. A escola
é também responsável pela promoção do
desenvolvimento do cidadão e educa para a cidadania. Esta educação
compreende um conjunto de práticas e atividades cuja finalidade é tornar os
cidadãos melhor preparados para participar ativamente na vida democrática,
através da assunção e do exercício dos seus direitos e responsabilidades
sociais.
O
conceito educação tem vindo a tornar-se complexo, devido às rápidas e profundas
transformações sociais, económicas e culturais que têm marcado a evolução das
sociedades contemporâneas desde a segunda metade do séc. XX. Estas
transformações exercem uma forte pressão sobre os sistemas educativos e
justificam as políticas educativas e os processos de reforma que se têm
implementado. Importa conceber a educação como um todo e como “ (…) educação ao longo da vida (…) que é a chave que abre as portas do século XXI
(…) é a condição para um domínio mais perfeito dos ritmos e dos tempos da
pessoa humana.” (UNESCO, 2003)
O saber hoje, não engloba apenas os aspetos
do conhecimento científico e técnico. As aprendizagens fundamentais contemplam
também a aquisição de instrumentos de compreensão (aprender a aprender), o modo
como agir sobre o meio envolvente, a participação ativa e a
cooperação/solidariedade. Outro aspeto importante são as aprendizagens não
formais que segundo Canário (2008) estão na base dos processos de qualificação
e validação das competências adquiridas ao longo da vida e que servem para a
qualificação da nossa população.
Reconhecer a importância dos processos
não formais de aprendizagem não significa negar a pertinência da escola nem de
situações e práticas de ensino. Implica reconhecer que o ensino escolar é apenas
um meio, entre outros, de propiciar aprendizagens em que ninguém se pode
substituir ao sujeito que aprende.
É assim importante a formação permanente, formação continua
alargada aos adultos ativos ou não, para que não se sintam
discriminados/marginalizados e para que possam responder às novas necessidades
da sociedade.
As
políticas e reformas educativas que se têm vindo a efetuar no nosso país,
preconizam uma nova visão da formação contínua dos professores, no contexto
dessas mudanças. A formação contínua “tem
vindo a assumir-se simultaneamente como um direito e um dever, constituindo-se (…)
como uma rotina de todos, valorizada em termos de progressão da carreira
docente” (Carmo, 2000:35)
A formação contínua confere novas
competências e conhecimentos profissionais, necessários à concretização dos
novos programas, metodologias e técnicas de ensino, mas também contribui para uma
maior profissionalidade e o desempenho de funções mais amplas nas escolas. Para
Rodrigues & Esteves, formação contínua é aquela que tem lugar ao longo da carreira profissional após a aquisição da certificação profissional
inicial… (1993: 44). Também Formosinho defende que a formação contínua é
sequencial à formação inicial, e claramente distinta desta, argumentando que "o conceito de formação contínua
distingue-se essencialmente do de formação inicial não pelos conteúdos ou
metodologias de formação, mas pelos destinatários", sendo que é oferecida
a pessoas em condição de adultos, com experiência de ensino, o que influencia
os conteúdos e as metodologias desta formação por oposição às da formação
inicial oferecida geralmente a jovens sem experiência de ensino. (1991, p.
237).
A
formação contínua tem assim como
finalidade, o aperfeiçoamento pessoal e social de cada indivíduo, numa perspetiva
de educação permanente e ao longo da vida.
A escola deve diferenciar as propostas de formação em percursos de
autoformação (ações de interesse pedagógico) e ações definidas como de
interesse para a organização. A elaboração dos planos de formação têm como meta
colmatar algumas dificuldades detetadas na organização e também fornecer
formação adequada a todos os seus intervenientes. Devem ser aqui incluídas as
formações de atualização, aos adultos, em parceria com as entidades do meio
local (Câmara Municipal, empresas e instituições). A
escola beneficia com a formação que desenvolve porque pode:
-rentabilizar
os recursos humanos e materiais de que dispõe;
-desenvolver
acções de melhoria de valores e comportamentos;
-contribuir
para a alfabetização tecnológica da comunidade local;
-desenvolver
práticas de cidadania e desenvolvimento social;
-contribuir
para o aumento da «Educação» no seu meio;
Atualmente,
o sucesso da Escola depende fundamentalmente do seu desenvolvimento
organizativo e das suas práticas pedagógicas. Verifica-se que estas duas
vertentes estão fortemente ligadas à visão da função da Escola. Esta é encarada
como «instituição dotada de autonomia relativa» que não se limita a reproduzir
normas e valores emanados do macrossistema , nem depende dos atores sociais que
a compõem( microssistema).A sua autonomia é construída pela comunidade que a
compõe , dando-lhe um sentido de pertença e construindo projetos eficazes.
Bibliografia
Carmo,
H.(2001), A actualidade do desenvolvimento comunitário como estratégia de
intervenção. Lisboa, ISPA
In
Actas da 1ª conferência sobre desenvolvimento comunitário e saúde mental, ISPA,
2001
Carmo,
H.(2000) A educação como problema social. in PSC:C7
Esteves,
M. & Rodrigues, (1993) A.. A análise de necessidades na formação de
professores. Porto: Porto Editora, 1993.
Formosinho,
J.(1991).Modelos organizacionais na formação contínua de professores. In Formação contínua de professores: Realidades
e perspectivas.15-38. Aveiro: Universidade de Aveiro,
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