sábado, 20 de dezembro de 2014

A importância da aprendizagem ao longo da vida

Que formação (contínua) no contexto das políticas e mudanças educativas?
     As alterações que se vão verificando no mundo de hoje, têm dimensões únicas. Tal como Carmo (2001:12) refere “o Futuro entra cada vez mais depressa no presente sem pedir licença, daí resultando um processo de mudança acelerada”.
      Os conhecimentos que fomos adquirindo ao longo da vida começam a tornar-se desadequados aos papéis que vamos desempenhando. O avanço das novas tecnologias desenvolve o «analfabetismo funcional» se não for intervencionado a tempo. Hoje a escola tem de se adaptar a todas as mudanças e repensar as suas políticas de intervenção, no que respeita à formação permanente e contínua do seu «sistema -cliente» (comunidade escolar e comunidade local).
       A função social da escola também se tem modificado ao longo dos anos. Longe vão os tempos da escola vista somente como local de aquisição de conhecimentos teóricos e técnicos que formavam para a vida. A escola é também responsável pela promoção do desenvolvimento do cidadão e educa para a cidadania. Esta educação compreende um conjunto de práticas e atividades cuja finalidade é tornar os cidadãos melhor preparados para participar ativamente na vida democrática, através da assunção e do exercício dos seus direitos e responsabilidades sociais.
    O conceito educação tem vindo a tornar-se complexo, devido às rápidas e profundas transformações sociais, económicas e culturais que têm marcado a evolução das sociedades contemporâneas desde a segunda metade do séc. XX. Estas transformações exercem uma forte pressão sobre os sistemas educativos e justificam as políticas educativas e os processos de reforma que se têm implementado. Importa conceber a educação como um todo e como “ (…) educação ao longo da vida (…) que é a chave que abre as portas do século XXI (…) é a condição para um domínio mais perfeito dos ritmos e dos tempos da pessoa humana.” (UNESCO, 2003)
   O saber hoje, não engloba apenas os aspetos do conhecimento científico e técnico. As aprendizagens fundamentais contemplam também a aquisição de instrumentos de compreensão (aprender a aprender), o modo como agir sobre o meio envolvente, a participação ativa e a cooperação/solidariedade. Outro aspeto importante são as aprendizagens não formais que segundo Canário (2008) estão na base dos processos de qualificação e validação das competências adquiridas ao longo da vida e que servem para a qualificação da nossa população.
Reconhecer a importância dos processos não formais de aprendizagem não significa negar a pertinência da escola nem de situações e práticas de ensino. Implica reconhecer que o ensino escolar é apenas um meio, entre outros, de propiciar aprendizagens em que ninguém se pode substituir ao sujeito que aprende.
       É assim importante a formação permanente, formação continua alargada aos adultos ativos ou não, para que não se sintam discriminados/marginalizados e para que possam responder às novas necessidades da sociedade.
As políticas e reformas educativas que se têm vindo a efetuar no nosso país, preconizam uma nova visão da formação contínua dos professores, no contexto dessas mudanças. A formação contínua “tem vindo a assumir-se simultaneamente como um direito e um dever, constituindo-se (…) como uma rotina de todos, valorizada em termos de progressão da carreira docente” (Carmo, 2000:35)
    A formação contínua confere novas competências e conhecimentos profissionais, necessários à concretização dos novos programas, metodologias e técnicas de ensino, mas também contribui para uma maior profissionalidade e o desempenho de funções mais amplas nas escolas. Para Rodrigues & Esteves, formação contínua é aquela que tem lugar ao longo da carreira profissional após a aquisição da certificação profissional inicial… (1993: 44). Também Formosinho defende que a formação contínua é sequencial à formação inicial, e claramente distinta desta, argumentando que "o conceito de formação contínua distingue-se essencialmente do de formação inicial não pelos conteúdos ou metodologias de formação, mas pelos destinatários", sendo que é oferecida a pessoas em condição de adultos, com experiência de ensino, o que influencia os conteúdos e as metodologias desta formação por oposição às da formação inicial oferecida geralmente a jovens sem experiência de ensino. (1991, p. 237).
        A formação contínua tem assim como finalidade, o aperfeiçoamento pessoal e social de cada indivíduo, numa perspetiva de educação permanente e ao longo da vida.
A escola deve diferenciar as propostas de formação em percursos de autoformação (ações de interesse pedagógico) e ações definidas como de interesse para a organização. A elaboração dos planos de formação têm como meta colmatar algumas dificuldades detetadas na organização e também fornecer formação adequada a todos os seus intervenientes. Devem ser aqui incluídas as formações de atualização, aos adultos, em parceria com as entidades do meio local (Câmara Municipal, empresas e instituições). A escola beneficia com a formação que desenvolve porque pode:
               -rentabilizar os recursos humanos e materiais de que dispõe;
               -desenvolver acções de melhoria de valores e comportamentos;
               -contribuir para a alfabetização tecnológica da comunidade local;
               -desenvolver práticas de cidadania e desenvolvimento social;
               -contribuir para o aumento da «Educação» no seu meio;
       Atualmente, o sucesso da Escola depende fundamentalmente do seu desenvolvimento organizativo e das suas práticas pedagógicas. Verifica-se que estas duas vertentes estão fortemente ligadas à visão da função da Escola. Esta é encarada como «instituição dotada de autonomia relativa» que não se limita a reproduzir normas e valores emanados do macrossistema , nem depende dos atores sociais que a compõem( microssistema).A sua autonomia é construída pela comunidade que a compõe , dando-lhe um sentido de pertença e construindo projetos eficazes.

Bibliografia
Carmo, H.(2001), A actualidade do desenvolvimento comunitário como estratégia de intervenção. Lisboa, ISPA In Actas da 1ª conferência sobre desenvolvimento comunitário e saúde mental, ISPA, 2001
Carmo, H.(2000) A educação como problema social. in PSC:C7
Esteves, M. & Rodrigues, (1993) A.. A análise de necessidades na formação de professores. Porto: Porto Editora, 1993.
Formosinho, J.(1991).Modelos organizacionais na formação contínua de professores. In Formação contínua de professores: Realidades e perspectivas.15-38. Aveiro: Universidade de Aveiro, 

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