Este e-portfólio foi criado no âmbito da unidade curricular de Sistemas Educativos: organização e avaliação,do Mestrado de Supervisão Pedagógica e pretende ser um portfólio digital das temáticas que vão sendo abordadas.Será também um espaço de partilha e reflexão.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Relatórios sobre avaliação externa
Achei interessante este seminário...
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Avaliação interna versus avaliação externa das escolas
A partir dos anos 80, as políticas educativas começaram a atribuir um papel
preponderante à avaliação das escolas. Fruto das mudanças nas organizações,
principalmente das organizações escolares que de uma regulação burocrática e
centralizada evoluíram «para uma lógica mercantil e para um estado avaliador.
A
avaliação das escolas emerge também das políticas educativas no quadro de novos
referenciais e de novos instrumentos de governação, associada a conceitos como
eficácia, eficiência e qualidade. Aferir padrões de qualidade, processos e resultados converteu-se em lógica
corrente e expandiram-na aos múltiplos domínios de atividade das organizações.
Sentia-se igualmente a inevitabilidade da sua entrada na escola. Duplamente:
pela via externa e pela via interna. Cresceram o conceito e as metodologias, ao
mesmo tempo que se lhe foi conferindo existência legal. A operacionalização do
processo converteu- se rapidamente em preocupação para as escolas, porque era
(e é) necessário dar-lhe resposta adequada, tanto no âmbito do autoconhecimento como no
da prestação pública de contas.
O estudo e a implementação de boas práticas
tornou-se então prioridade, numa tradição escolar pouco habilitada a uma
cultura de avaliação e, sobretudo, de autoavaliação.
Os
estabelecimentos de ensino como organizações educativas complexas, têm vindo a
pouco e pouco a dar importância a processos de autoavaliação, principalmente
com o objetivo de melhorar o seu funcionamento e os seus resultados. A
legitimidade da avaliação tem sido reconhecida pelos seus profissionais como um
factor essencial para a mudança e para o aperfeiçoamento das suas práticas letivas.
Para que este processo obtenha resultados positivos, torna-se necessário como
condição essencial o envolvimento e o empenhamento de toda a comunidade
educativa, no sentido de ultrapassar os conflitos surgidos e as visões das
políticas educativas antagónicas, para que as tomadas de decisão sejam
legitimadas e aceites por todos.Observa-se uma tendência crescente para a participação de
elementos de toda a comunidade educativa na avaliação interna, pois entende-se que,
sendo esta um instrumento importante para a melhoria da escola, a participação
favorece a identificação dos problemas e o envolvimento nas soluções e
proporciona ainda uma análise mais completa e uma maior abertura da escola ao
meio em que se insere.
A avaliação interna das escolas constitui uma estratégia fundamental
para a identificação dos pontos fracos e fortes. Tem um carácter formativo e
ajuda a desenvolver uma cultura de escola. O documento de avaliação interna da
escola é, por isso, uma peça essencial a que os professores devem dar a máxima
atenção. É um documento que deve estar em contínua atualização. A escola ao praticar a autoavaliação conhece-se e constrói a sua identidade,
é uma escola aprendente, que se questiona para se adaptar à complexidade dos
problemas, geri-los e solucioná-los. As escolas com experiências de
autoavaliação, revelam que a implementação do processo e a mobilização integral
da comunidade não são tarefas fáceis. Tem de haver um esforço organizativo, por
parte de todos os agentes para se ultrapassarem os obstáculos.
A avaliação externa pretende
fomentar nas escolas uma interpelação sistemática sobre a qualidade das suas
práticas e dos seus resultados, promovendo a articulação com os dispositivos de
autoavaliação de modo a contribuir para a melhoria do serviço público da
educação. Constitui também uma oportunidade de cada escola se conhecer, refletir
e melhorar o seu desempenho, à luz de um referencial de avaliação que contemplava
cinco domínios básicos (os resultados, a prestação do serviço educativo, a
organização e gestão escolar, a liderança e a capacidade de autorregulação e
progresso da escola), o novo ciclo de avaliação estrutura-se em três domínios –
Resultados, Prestação do serviço educativo e Liderança e gestão – abrangendo um
total de nove campos de análise ( documento pode ser consultado na IGEC). Promover
uma cultura de rigor, de exigência e de melhoria é a finalidade desta prática
de avaliação.
Concluindo avaliação é um factor de regulação e governabilidade das
sociedades contemporâneas e de gestão de relações de poder; no caso da
educação, "a diversidade de fontes e modos de regulação faz com que a
coordenação, o equilíbrio ou a transformação do funcionamento do sistema educativo
resultem mais da interação dos vários dispositivos reguladores do que da
aplicação linear de normas, regras e orientações oriundas do poder político
"(Barroso, 2003,p.40).
Barroso,
João (2003). Regulação e desregulação nas políticas educativas: tendências
emergentes
em estudos de educação comparada, in Barroso, João (org.), A Escola Pública –
Regulação,
desregulação e privatização, Porto: Asa, pp. 19-48.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
A Regulação nos sistemas educativos
Para
Dale, 2008, p.17) "os sistemas educativos são os principais meios a que as
sociedades recorrem para procurar definir, replicar e assegurar a sua
singularidade nacional, para reforçar as economias nacionais e responder aos
problemas sociais e para influenciar a distribuição de oportunidades
individuais". É assim necessário uma regulação dos sistemas educativos
Na
perspetiva de Ramos (2011) e à luz do conceito governance, o conceito de regulação "significa um instrumento
para ajudar a manter ou a transformar o sistema" (p.170). Será talvez este
que melhor define a regulação dos sistemas educativos. Nestes, o contexto
organizacional, os mecanismo normativos , as regras impostas e os atores
sociais têm de ser analisados quando falamos de regulação.
Segundo
Barroso (2001, apud Almeida, 2005, p. 5), a regulação do Sistema Educativo não
deve ser considerada como um processo único, mas como "um processo
compósito que resulta mais da regulação das regulações, do que do controlo
directo da aplicação de uma regra sobre a acção dos regulados”. O mesmo autor
refere ainda que " a multiplicidade de processos de regulação e a sua
difícil compatibilização tornam não só problemáticas as próprias noções de
"equilíbrio" e “coerência”, intrínsecas a qualquer sistema, como põem
em causa a própria possibilidade de existência de “um sistema nacional” de
ensino"(Barroso, 2005, p. 75).
Barroso, J. (2005).Políticas Educativas
e Organização Escolar. Lisboa: Universidade Aberta.
Dale, R. (2008).Construir a Europa
através de um Espaço Europeu de Educação. Revista Lusófona de Educação, II,
13-30
Ramos, C. (s.d).Regulação dos Sistemas
Educativos. O Caso Português.
Defenindo o conceito de Regulação
Como
qualquer conceito é polissémico:
Terssac
(2003,p.3 citado por Almeida, 2005,p.3) refere que o conceito normativamente é
usado para " designar o ajustamento, em conformidade com uma regra
(...)";
Para
Diebolt (2001,p.10) citado por Barroso (2005,p.65) o conceito é entendido como
"o conjunto de mecanismos que asseguram o desenvolvimento dum determinado
sistema, através de um processo complexo de reprodução e transformação. Neste
sentido, a regulação postula que a transformação de um sistema é a condição
indispensável à manutenção da sua existência e coerência" e "(…)
permite compreender como e porquê um conjunto de elementos, de ações ou
indivíduos se organizam no seio de uma entidade global com fim de prosseguir
uma certa finalidade"(in Almeida, 2005, p. 5);
Barroso
(2005, p. 63) sustenta que o "termo regulação está associado, em Portugal,
ao objetivo de consagrar, simbolicamente, um outro estatuto à intervenção do
Estado na condução das políticas públicas";
Na
sociologia das organizações " a regulação é a resultante da articulação
(ou da transacção) entre uma ou várias regulações de controlo e processos
‘horizontais` de produção de normas de organização" aqui com o sentido
" de processo social de produção de «regras do jogo» permitindo resolver
problemas de interdependência e de coordenação"(Maroy &
Dupriez,2000,p. 76, apud Barroso, 2005,p.66);
Bauby
(2002, p.15,apud Barroso, 2005, p.66), "reportando-se aos sistemas
sociais, define regulação como: modos de ajustamento permanentes de uma
pluralidade de ações e seus efeitos que permitem assegurar o equilíbrio
dinâmico de sistemas instáveis (…) resulta do facto de que as regras não podem
prever tudo e por isso devem ser interpretadas, postas em causa (numa adaptação
perpétua em função das situações e dos objetivos). A regulação de um grupo
social corresponde assim, às interações entre os interesses particulares de
cada componente do grupo e o interesse comum ou geral do mesmo"
Almeida, A.
P. (2005).Os fluxos escolares dos alunos como analisador dos modos de
regulação local do Sistema Educativo. Lisboa: FPCE (Dissertação de
Mestrado); disponível em
http://elearning.uab.pt/mod/resource/view.php?id=127604;consultada em janeiro
de 2015;
Barroso, J.
(2005). Políticas Educativas e Organização Escolar. Lisboa: Universidade
Aberta.
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