quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Avaliação interna versus avaliação externa das escolas

A partir dos anos 80, as políticas educativas começaram a atribuir um papel preponderante à avaliação das escolas. Fruto das mudanças nas organizações, principalmente das organizações escolares que de uma regulação burocrática e centralizada evoluíram «para uma lógica mercantil e para um estado avaliador.
       A avaliação das escolas emerge também das políticas educativas no quadro de novos referenciais e de novos instrumentos de governação, associada a conceitos como eficácia, eficiência e qualidade. Aferir padrões de qualidade, processos e resultados converteu-se em lógica corrente e expandiram-na aos múltiplos domínios de atividade das organizações. Sentia-se igualmente a inevitabilidade da sua entrada na escola. Duplamente: pela via externa e pela via interna. Cresceram o conceito e as metodologias, ao mesmo tempo que se lhe foi conferindo existência legal. A operacionalização do processo converteu- se rapidamente em preocupação para as escolas, porque era (e é) necessário dar-lhe resposta adequada, tanto no âmbito do autoconhecimento como no da prestação pública de contas. 
      O estudo e a implementação de boas práticas tornou-se então prioridade, numa tradição escolar pouco habilitada a uma cultura de avaliação e, sobretudo, de autoavaliação.
      Os estabelecimentos de ensino como organizações educativas complexas, têm vindo a pouco e pouco a dar importância a processos de autoavaliação, principalmente com o objetivo de melhorar o seu funcionamento e os seus resultados. A legitimidade da avaliação tem sido reconhecida pelos seus profissionais como um factor essencial para a mudança e para o aperfeiçoamento das suas práticas letivas. Para que este processo obtenha resultados positivos, torna-se necessário como condição essencial o envolvimento e o empenhamento de toda a comunidade educativa, no sentido de ultrapassar os conflitos surgidos e as visões das políticas educativas antagónicas, para que as tomadas de decisão sejam legitimadas e aceites por todos.Observa-se uma tendência crescente para a participação de elementos de toda a comunidade educativa na avaliação interna, pois entende-se que, sendo esta um instrumento importante para a melhoria da escola, a participação favorece a identificação dos problemas e o envolvimento nas soluções e proporciona ainda uma análise mais completa e uma maior abertura da escola ao meio em que se insere.
A avaliação interna das escolas constitui uma estratégia fundamental para a identificação dos pontos fracos e fortes. Tem um carácter formativo e ajuda a desenvolver uma cultura de escola. O documento de avaliação interna da escola é, por isso, uma peça essencial a que os professores devem dar a máxima atenção. É um documento que deve estar em contínua atualização. A escola ao praticar a autoavaliação conhece-se e constrói a sua identidade, é uma escola aprendente, que se questiona para se adaptar à complexidade dos problemas, geri-los e solucioná-los. As escolas com experiências de autoavaliação, revelam que a implementação do processo e a mobilização integral da comunidade não são tarefas fáceis. Tem de haver um esforço organizativo, por parte de todos os agentes para se ultrapassarem os obstáculos.
A avaliação externa pretende fomentar nas escolas uma interpelação sistemática sobre a qualidade das suas práticas e dos seus resultados, promovendo a articulação com os dispositivos de autoavaliação de modo a contribuir para a melhoria do serviço público da educação. Constitui também uma oportunidade de cada escola se conhecer, refletir e melhorar o seu desempenho, à luz de um referencial de avaliação que contemplava cinco domínios básicos (os resultados, a prestação do serviço educativo, a organização e gestão escolar, a liderança e a capacidade de autorregulação e progresso da escola), o novo ciclo de avaliação estrutura-se em três domínios – Resultados, Prestação do serviço educativo e Liderança e gestão – abrangendo um total de nove campos de análise ( documento pode ser consultado na IGEC). Promover uma cultura de rigor, de exigência e de melhoria é a finalidade desta prática de avaliação.
                Concluindo avaliação é um factor de regulação e governabilidade das sociedades contemporâneas e de gestão de relações de poder; no caso da educação, "a diversidade de fontes e modos de regulação faz com que a coordenação, o equilíbrio ou a transformação do funcionamento do sistema educativo resultem mais da interação dos vários dispositivos reguladores do que da aplicação linear de normas, regras e orientações oriundas do poder político "(Barroso, 2003,p.40).
Barroso, João (2003). Regulação e desregulação nas políticas educativas: tendências
emergentes em estudos de educação comparada, in Barroso, João (org.), A Escola Pública –
Regulação, desregulação e privatização, Porto: Asa, pp. 19-48.


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