A partir dos anos 80, as políticas educativas começaram a atribuir um papel
preponderante à avaliação das escolas. Fruto das mudanças nas organizações,
principalmente das organizações escolares que de uma regulação burocrática e
centralizada evoluíram «para uma lógica mercantil e para um estado avaliador.
A
avaliação das escolas emerge também das políticas educativas no quadro de novos
referenciais e de novos instrumentos de governação, associada a conceitos como
eficácia, eficiência e qualidade. Aferir padrões de qualidade, processos e resultados converteu-se em lógica
corrente e expandiram-na aos múltiplos domínios de atividade das organizações.
Sentia-se igualmente a inevitabilidade da sua entrada na escola. Duplamente:
pela via externa e pela via interna. Cresceram o conceito e as metodologias, ao
mesmo tempo que se lhe foi conferindo existência legal. A operacionalização do
processo converteu- se rapidamente em preocupação para as escolas, porque era
(e é) necessário dar-lhe resposta adequada, tanto no âmbito do autoconhecimento como no
da prestação pública de contas.
O estudo e a implementação de boas práticas
tornou-se então prioridade, numa tradição escolar pouco habilitada a uma
cultura de avaliação e, sobretudo, de autoavaliação.
Os
estabelecimentos de ensino como organizações educativas complexas, têm vindo a
pouco e pouco a dar importância a processos de autoavaliação, principalmente
com o objetivo de melhorar o seu funcionamento e os seus resultados. A
legitimidade da avaliação tem sido reconhecida pelos seus profissionais como um
factor essencial para a mudança e para o aperfeiçoamento das suas práticas letivas.
Para que este processo obtenha resultados positivos, torna-se necessário como
condição essencial o envolvimento e o empenhamento de toda a comunidade
educativa, no sentido de ultrapassar os conflitos surgidos e as visões das
políticas educativas antagónicas, para que as tomadas de decisão sejam
legitimadas e aceites por todos.Observa-se uma tendência crescente para a participação de
elementos de toda a comunidade educativa na avaliação interna, pois entende-se que,
sendo esta um instrumento importante para a melhoria da escola, a participação
favorece a identificação dos problemas e o envolvimento nas soluções e
proporciona ainda uma análise mais completa e uma maior abertura da escola ao
meio em que se insere.
A avaliação interna das escolas constitui uma estratégia fundamental
para a identificação dos pontos fracos e fortes. Tem um carácter formativo e
ajuda a desenvolver uma cultura de escola. O documento de avaliação interna da
escola é, por isso, uma peça essencial a que os professores devem dar a máxima
atenção. É um documento que deve estar em contínua atualização. A escola ao praticar a autoavaliação conhece-se e constrói a sua identidade,
é uma escola aprendente, que se questiona para se adaptar à complexidade dos
problemas, geri-los e solucioná-los. As escolas com experiências de
autoavaliação, revelam que a implementação do processo e a mobilização integral
da comunidade não são tarefas fáceis. Tem de haver um esforço organizativo, por
parte de todos os agentes para se ultrapassarem os obstáculos.
A avaliação externa pretende
fomentar nas escolas uma interpelação sistemática sobre a qualidade das suas
práticas e dos seus resultados, promovendo a articulação com os dispositivos de
autoavaliação de modo a contribuir para a melhoria do serviço público da
educação. Constitui também uma oportunidade de cada escola se conhecer, refletir
e melhorar o seu desempenho, à luz de um referencial de avaliação que contemplava
cinco domínios básicos (os resultados, a prestação do serviço educativo, a
organização e gestão escolar, a liderança e a capacidade de autorregulação e
progresso da escola), o novo ciclo de avaliação estrutura-se em três domínios –
Resultados, Prestação do serviço educativo e Liderança e gestão – abrangendo um
total de nove campos de análise ( documento pode ser consultado na IGEC). Promover
uma cultura de rigor, de exigência e de melhoria é a finalidade desta prática
de avaliação.
Concluindo avaliação é um factor de regulação e governabilidade das
sociedades contemporâneas e de gestão de relações de poder; no caso da
educação, "a diversidade de fontes e modos de regulação faz com que a
coordenação, o equilíbrio ou a transformação do funcionamento do sistema educativo
resultem mais da interação dos vários dispositivos reguladores do que da
aplicação linear de normas, regras e orientações oriundas do poder político
"(Barroso, 2003,p.40).
Barroso,
João (2003). Regulação e desregulação nas políticas educativas: tendências
emergentes
em estudos de educação comparada, in Barroso, João (org.), A Escola Pública –
Regulação,
desregulação e privatização, Porto: Asa, pp. 19-48.
Sem comentários:
Enviar um comentário