terça-feira, 4 de novembro de 2014

Evolução e mudança na educação - formação e educação permanente

            As alterações que se vão verificando no mundo de hoje, têm dimensões únicas. Tal como Carmo (1999) refere “o Futuro entra cada vez mais depressa no Presente sem pedir licença, daí resultando um processo de mudança acelerada”. O saber hoje, não engloba apenas os aspetos do conhecimento científico e técnico, as aprendizagens fundamentais contemplam também a aquisição de instrumentos de compreensão (aprender a aprender), o modo como agir sobre o meio envolvente, a participação ativa e a cooperação/solidariedade.
            O conceito educação tem vindo a tornar-se complexo, devido às rápidas e profundas transformações sociais, económicas e culturais que têm marcado a evolução das sociedades contemporâneas desde a segunda metade do séc. XX. Estas transformações exercem uma forte pressão sobre os sistemas educativos e justificam as políticas educativas e os processos de reforma que se têm implementado. Importa conceber a educação como um todo e como “ (…) educação ao longo da vida (…) que é a chave que abre as portas do século XXI (…) é a condição para um domínio mais perfeito dos ritmos e dos tempos da pessoa humana.” (UNESCO, 2003)
           Os conhecimentos que fomos adquirindo ao longo da vida começam a tornar-se desadequados aos papéis que vamos desempenhando. O avanço das novas tecnologias desenvolve o «analfabetismo funcional» se não for intervencionado a tempo. Hoje a escola tem de se adaptar a todas as mudanças e repensar as suas políticas de intervenção, no que respeita à formação permanente e contínua de toda a comunidade.
           A função social da Escola também se tem modificado ao longo dos anos. Longe vão os tempos da escola vista somente como local de aquisição de conhecimentos teóricos e técnicos que formavam para a vida. A escola é também responsável pela promoção do desenvolvimento do cidadão e educa para a cidadania. Esta educação compreende um conjunto de práticas e atividades cuja finalidade é tornar os cidadãos melhor preparados para participar ativamente na vida democrática, através da assunção e do exercício dos seus direitos e responsabilidades sociais.
        Outro aspeto importante são as aprendizagens não formais que segundo Canário 2008) “importa salientar (…) pois estão na base dos atuais processos de reconhecimento, validação e certificação de adquiridos experienciais, essenciais para a qualificação da população portuguesa”.[1] Reconhecer a importância dos processos não formais de aprendizagem não significa negar a pertinência da escola nem de situações e práticas de ensino. Implica reconhecer que o ensino escolar é apenas um meio, entre outros, de propiciar aprendizagens em que ninguém se pode substituir ao sujeito que aprende. É assim importante a formação permanente, formação continua alargada aos adultos ativos ou não, para que não se sintam discriminados/marginalizados e para que possam responder às novas necessidades da sociedade.
           A diversidade é outro conceito que não podemos desligar da escola de hoje. Diversidade pode significar variedade, diferença e multiplicidade. A diferença é qualidade do que é diferente; o que distingue uma coisa de outra, a falta de igualdade ou de semelhança, neste sentido, podemos afirmar que onde há diversidade existe diferença. Todos somos diferentes e a escola tem obrigatoriamente de encarar essas diferenças. O ensino de hoje tem de se adaptar às novas exigências da diversidade.
É cada vez mais comum encontrarmos nas nossas salas de aula, alunos de diferentes origens., com uma cultura e língua materna que não a nossa. As novas políticas educativas, defendem uma educação que atende às diferenças individuais, e não exclui ninguém da escola:
-o direito à educação de todos os indivíduos;
-a igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência
-a promoção do acesso à educação para todos.
Sendo um processo contínuo, a formação, não se esgota numa aprendizagem única, nem numa determinada altura da vida. Ela deve ser feita continuamente de acordo com a evolução da sociedade e a necessidade de atualizar e aprofundar conhecimentos.

Carmo, H.(1999), A actualidade do desenvolvimento comunitário como estratégia de intervenção. Lisboa, ISPA




[1] Artigo do Professor Rui Canário, Aprender sem ser ensinado in Revista Noesis, nº67.

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